Movimento unificado de servidores define próximas ações: greve independe de parcelamento

Por Sul21, com fotos da Assessoria de Imprensa do SINDSEPE/RS

IMG_4272Em assembleia realizada na sede do Centro dos Professores do Estado do Rio grande do Sul (CPERS) nesta quarta-feira (26), os representantes das 43 categorias do funcionalismo público do Estado decidiram os próximos passos da mobilização unificada contra as políticas de ajuste fiscal do governo do Estado. Os servidores reiteraram a posição de que será feita uma paralisação geral de quatro dias, entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro, caso não seja retirado da pauta da Assembleia Legislativa (AL-RS), até a próxima sexta-feira (28), o Projeto de Lei Complementar (PLC) 206, independentemente de haver novo parcelamento de salários ou não.

“Se não for retirado o PLC 206 e os outros projetos de lei que nos atacam até sexta-feira, dia 31 entramos em greve até o dia 3″, disse a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer. “Mesmo que ele pague integralmente”, afirmou.

A presidente do CPERS, uma das entidades que lidera o movimento unificado dos servidores estaduais, salientou que a unidade da categoria foi formalizada em abril, quando o governo encaminhou para a AL o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, que congelou os gastos do Estado para 2016 nos patamares de 2015.

IMG_4263“Algum pedaço da mídia tenta caracterizar o nosso movimento como se fosse por atraso de salário. Ao contrário, desde abril nós estamos nos mobilizando e construindo o movimento. O atraso do salário, para mim, foi uma forma do governo tentar diminuir o nosso movimento”, afirmou a professora.

“Se hoje estão fechando hospitais, o governo não aponta para que isso cesse, ao contrário, aponta para que isso aprofunde, essa é a posição do 206. Se hoje estão faltando 2 mil professores, com certeza o governo trabalha para que falte mais professores – mais de 500 já se exoneraram esse ano. Se na segurança, hoje os carros estão parados porque não tem sequer IPVA pago, não tendo investimento, vai aumentar esse problema”, disse Helenir. “Nós não estamos contra o PLC somente porque vai congelar nossos salários, porque também vai, mas porque há um desmonte do serviço oferecido à população”.

Próximas ações

IMG_4269Além da paralisação de quatro dias, as categorias do funcionalismo pretendem realizar uma série de ações e atos de rua entre os próximos dias 31 e 3. No dia 3, a ideia do movimento é organizar uma grande mobilização para participar da audiência pública convocada para a data que irá debater o PLC 206.

“Nós queremos a clareza dos deputados sobre o que eles querem. Um estado que ofereça sustentação para aquela população que mais necessita, com a presença da política pública, ou se eles querem um estado reduzido, que é o que o governador Sartori quer, e aqueles que tiverem problemas de educação, saúde e segurança e não tiverem dinheiro terão quase zero de oferta. Esse é o debate”, disse a presidente do CPERS.

No dia 4, a ideia é realizar ações junto a partidos da base do governo de José Ivo Sartori (PMDB), especialmente o PDT. “Para nós, é muito difícil entendermos a posição de um partido que se diz trabalhista, um partido que diz que sua bandeira principal é a educação, apoiando o governo na extinção de empresas que fazem pesquisa e diminuição de recursos para a educação”, afirmou Helenir.

A partir do dia 4, a ideia dos servidores é acompanhar na AL a votação dos projetos de ajuste fiscal encaminhados pelo governo. “Quando entrar em votação os projetos aos quais nos contrapomos, vamos botar gente em Porto Alegre para inibir a votação dos projetos”, afirmou.

Novo parcelamento

Apesar de o governo ainda não ter anunciado oficialmente se haverá um novo parcelamento do salário dos servidores, a expectativa é que, na próxima segunda-feira (31), eles recebam apenas uma parcela entre R$ 500 e R$ 1 mil – no final de agosto, os servidores receberam uma parcela de R$ 2.150.

Helenir disse esperar que o governo não cumpra as expectativas de pagar apenas R$ 500 ao funcionalismo. “Eu quero acreditar que ainda tenha um pouco de seriedade neste governo. Se tiver um mínimo de seriedade, é óbvio que ele não vai pagar R$ 500 para os servidores. Cortar R$ 1 do salário já é desrespeitoso. Agora, pagar R$ 500 é debochar, não só dos servidores, mas do povo gaúcho. Eu não acredito que a irresponsabilidade do governo chegue a tanto”, disse. “A minha vontade é, se receber R$ 500, devolver, porque aí é o fim”.

 

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